Adriano Aprigliano

Adriano Aprigliano

Tenho me dedicado desde a graduação ao estudo de duas tradições letradas em especial, a romana de língua latina e a indiana de língua sânscrita.

LATIM

No âmbito da cultura latina, interesso-me especialmente pela poesia épica de Virgílio, de seus predecessores e sucessores, pelos estudos de métrica e gramática e pela tradução poética de poesia. 

NOVA ENEIDA EM VERSOS

Meu projeto atual é uma nova tradução da Eneida de Virgílio (I a.C.) a que tenho dado o nome de NOVA ENEIDA EM VERSOS. Essa tradução se baseia em dois princípios que considero fundamentais na épica antiga, o verso e tom da linguagem. Pelo hexâmetro proponho versos assinartetos de sete sílabas poéticas; pelo tom, manipulo o vocabulário, a sonoridade e a sintaxe do português para criar a condição de um falar irreal, mas que -- e nisso aposto -- pode ser a língua boa para falar dos antigos heróis e para lhes dar voz. O resultado avaliará o leitor, quando a tradução sair publicada, em 2020.

Mostro um trecho, tirado ao Canto V, 124-150, o início da corrida de barcos:

Longe no mar, opoente aos litorais espumados, 
há uma pedra que vagas túmidas malham submersa 
por vezes, quando do inverno os Cauros cobrem os astros; 
tranquilamente calada, alça-se, o mar quando para, 
campo e paragem mui grata aos solares mergulhões. 
Aí viçosa baliza feita de pau de azinheira 
em sinal aos marinheiros pôs pai Eneias, soubessem 
de onde voltar e arqueassem em torno da qual as carreiras. 
Raias então em sorteio tiram, das naus os senhores 
nas popas luzem ao longe em ouro e ostro decoro. 
Velam ramas de papoula toda demais juventude 
e, óleo nos ombros desnudos derramado, reluziam. 
Tomando os bancos, tendiam aos remos braços; atenta- 
mente o sinal esperando, e os corações exultantes, 
pavor consome-os pulsante e os cobiçados louvores. 
Claro clarim que ressoa, eis que então sem demora 
todos correram a postos; fere o etéreo o náutico 
clamor; recuo dos braços repuxa as águas, espumam.  
Regos parelhos fissuram e todo convulsionado 
a remos e tridentados rostros abisma-se o mar. 
Nem na corrida tomaram de bigas tão atirados 
campo largando largada desabalados os carros; 
nem assim, soltos cavalos, ondas de brida os aurigas 
alvoraçaram, se inclinam e se dão às vergastadas. 
Então aplaude, algazarra e torce a torcida dos homens, 
e inteiramente o bosque ressoa e o som a enseada 
ecoa e o trom quando bate, as colinas repercutem. 

SÂNSCRITO

No âmbito da cultura indiana, estudei em meu Doutorado e Pós-doutorado a obra do filósofo e gramático Bhartr̥hari (séc. d.C.). Traduzi para o português o primeiro livro de três do Vākyapadīya, obra seminal da filosofia indiana em que se discutem o estatuto ontológico da palavra,  do sentido, os fundamentos conceituais da prática da descrição gramatical e diversas outras questões que interessam à relação da linguagem com a realidade. A tradução foi publicada pela Editora da UNESP em 2014.

ÁRABE

Ainda no campo da tradução, mas em outro contexto de língua e cultura, a Profa. Safa Jubran (DLO/FFLCH-USP) e eu lideramos o grupo TARJAMA - Escola de tradutores de literatura árabe moderna, que tem por objetivo treinar grupos de estudantes de árabe no trabalho com a tradução literária de prosa moderna. Estamos preparando uma antologia do conto árabe moderno para breve.

Formação:

PÓS-DOUTORADO pelo Departamento de Letras Orientais/USP (2013).
DOUTOR em Linguística pela Universidade de São Paulo (2011).
MESTRE em Linguística pela Universidade de São Paulo (2006).
BACHAREL em Latim e Português (2002) e Árabe (2008) pela Universidade de São Paulo. 

Áreas de orientação

Por enquanto apenas para Iniciação Científica

Épica e poesia hexamétrica em língua latina
Métrica da poesia latina
Gramáticos latinos

Gramática e Filosofia da Linguagem em língua sânscrita
Épica em língua sânscrita
Métrica da poesia sânscrita

 

 

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aprigliano@usp.br
Gabinete
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